quarta-feira, 30 de novembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
333
Todos os dias na mesma mesa, todos os dias o mesmo
pedido e todos os dias a mesma cara entre o mal disposto e o desconfiado. Todos
os dias a mesma gorjeta de umas moeditas sujas e gastas e todos os dias, o
mesmo tossicar antes de pedir a conta, a conta que é igual todos os dias e que
já não devia ser assim tão necessária. Todos os dias, aquele olhar demasiado
concentrado mas tão frio e tão morto, sobre o resto das pessoas do café como se
estivessem a conspirar nas suas costas. Todos os dias, mesmo todos sem
excepção, porque este café nunca fecha. Sempre à mesma hora mais certo que o
próprio relógio do café – entrada triunfante de semblante pesado, olhar cansado
como se aquele espaço já não mais lhe agradasse, mas todos os dias regressava
como se tratasse de uma obrigação que tinha de cumprir sentenciosamente.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
332
Sempre
estive aqui aprisionado no teu calor, no teu frio, fustigaste-me com a tua
chuva e poucas vezes quisestes saber de mim. Agora que te tenho de deixar para
trás, olho pelo vidro embaciado do carro e vejo-te triste numa despedida que
nunca teve o seu tempo. As despedidas são sempre assim sem tempo e com muitas
demoras, bem sei. O barulho do motor tenta fazer esquecer-me os teus sons…
cidade minha. Não é pela chuva que vai caindo de encontro à janela e que se
poderia confundir com as minhas lágrimas, não é pela humidade no ar que só me
faz sentir mais só ainda. Para onde me levam? Porque deixo eu que me levem? Não
percebo a inércia destes dias que me deixam estático perante a vida que se
desenrola à minha frente.
domingo, 27 de novembro de 2011
331
Da janela a vista é
todo mundo mas de uma modéstia envergonhada como se dali para a frente nada
existisse, uma espécie de parede decorada, pintada de minuto em minuto, um
cenário infinito. Para completar o espaço uma secretária antiga e pesada,
marcada pelo tempo e pela dureza das palavras que por ali já passaram. Odores,
suores de noites mal passadas, lágrimas de páginas mal conseguidas, corpos
entrelaçados em gestos de amor na busca de inspiração. Palavras que ficaram
caladas nas bocas que não se souberam abrir na altura certa e paixões que
esmoreceram em palavras.
sábado, 26 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
terça-feira, 22 de novembro de 2011
326
Fecha os olhos.
Fechas os olhos e só por breves momentos imagina uma cor. Essa mesma, essa em que está a pensar, a que traz a serenidade de um pensamento que te leva de volta para o ninho. Esquece o vento lá fora. Esquece o barulho que faz nas janelas. Aninha-te e sorri.
Hoje, esta noite... podia ter sido a última!
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
323
Encontrei um coração perdido numa lixeira desta cidade. Enferrujado pela água e sal das lágrimas, pouco havia para fazer com ele. Encontrei um coração que decidi recuperar.
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