segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
253
Ela não me vê se eu não lhe falar, ela não me responde. O teu olhar é uma venda, a cova entre o teu ombro e o teu pescoço é uma mordaça, não digo nada, nunca mais digo nada, só o teu nome. Um ritmo, o único ritmo, o único tic-tac, é uma redoma, é o estremecer de tudo teu em tudo meu.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
252
Quero-te contar, que hoje acordei naquele espaço repleto da tua ausência. As tuas soltas palavras ganham corpo naquele almanaque que tu esqueceste. A única lembrança residual de ti é isso e pó. O pó que cobre a memória de nós, e que um dia a irá enterrar.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
251
Quero sentir-me um pouco assim, dono de nada, sozinho no mundo, dentro de mim só uma casa sem paredes, vítima da fome e de frio. Quando voltar a mim, como sou agora, quero saber o que ganhei e o que perdi. Em breve. Voltarei para te contar.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
249
Tento acalmar todas estas vozes diferentes que falam dentro da minha cabeça. Tento esquecer os cheiros roubados ocasionalmente em relances de ti. As vozes falam de meses impacientes, do presente e de qualquer coisa que nunca se percebe se é passado ou futuro. Os instantes ganham forma de eternidade, crescem da agonia do meu peito e esquecem os momentos eternos de memória registados como perfeitos. Devoro cada promessa em que me comprometo. Guardo as palavras nos ninhos das madrugadas, onde escondo as carícias que ficam por entregar. Ficam guardadas à espera de uma cobrança de ilusão perfeita.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
247
São lábios pedintes mendigando atenção para as palavras despejadas em torrentes de imaginação. Sede das ideias que secam no deserto que nos cerca. Sempre um gesto a mais, uma palavra que fica esquecida na cortina dos teus cabelos, tão perto dos teus ouvidos. Mais um capítulo nesta história sem fim aparente. Sobrevivemos à travessia para voltar a morrer novamente, mais uma vez tão perto de matar a sede. Lá longe onde o mar não nos afoga, onde os espelhos são portas e onde a coragem não nos falta. Uma morada eterna onde o tempo não se inquieta.
sábado, 3 de setembro de 2011
246
Hoje, para se ser, é preciso pensar em seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço. Acreditar que os dragões existem, que os gatos falam e se organizam para cantarem juntos durante as noites quentes de Verão. É acreditar que os medos se podem guardar debaixo da cama e os aviões podem ser estrelas cadentes. Que ser amolador é a profissão mais antiga do mundo, e que o mundo é como nos o imaginamos, verde é o mar. E isto não é loucura, porque a loucura só vem para a hora do chá.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
245
É como perder o caminho todos os dias. Entro naquela estrada preparado para chegar ao fim. Deixar a casa do conforto para trás. Esquecer o calor do abraço e os aromas de uma pele acabada de lavrar com caricias. Passado o portão tudo parece fácil, nem sequer a vontade de olhar para trás... mas a estrada não tem fim, ando e ando, corro. Acelero e desacelero e nada, só nada. Cansado, olho para trás pela primeira vez. Já é noite. A luz acesa na janela ainda é visível, está sempre lá por muito que me tente afastar. No fim volto para a partida, volto sempre. São saudades e impossíveis que não sei como largar. É como estar perdido, todos os dias.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
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