Não há pior situação do que acordar, de repente
múltiplos sonhos que se esvaem em nuvens de fumo, tudo se perde, tal qual se
deixássemos um papel escrito à chuva, as palavras a perderem-se e o papel a
derreter e o máximo que podemos fazer é esperar que ele seque e tenha
conservado algo, uma réstia de esperança por cada gota de tinta.
Sinto-me tão sozinho e sinto um frio estranho que
me percorre todo o corpo, uma sensação de vazio, uma sonolência que invade.
Todos os dias acordo, todos os dias morro mais um pouco, gostava de não ter que
voltar a sentir, dormir e sonhar para todo o sempre. Infinitamente adormecido.