terça-feira, 12 de abril de 2011

102

Talhada na paixão inútil, a minha arte é cultivada na imaginação da suposição. A rejeição da realidade faz parte do meu processo auto-destrutivo e o portanto da minha criação. A tomada física, real da minha dor, é resultado do amor que tenho à mentira na vida.

sábado, 9 de abril de 2011

99


Todas as recordações são marcas de lágrimas que por ali passaram. As tuas palavras estilhaçam a minha solidão em pequenos vidros de alegria. Corto-me e sangro sobre eles. Deixo que a curva dos teus braços seja a curva do me coração, porque no final o que resta... apenas a ilusão de amor!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

97


Os ruídos vão desaparecendo e sei que a cidade começa a adormecer. Nas paredes do meu ser ouço as palavras que teimam em não me largar. É nas noites mais escuras, onde nenhuma luz ousa entrar que mais sinto o peso da tua voz. Coisas escritas em papéis desavindos que nunca chegarão a ver a luz dos teus olhos. Verdades ditas em tinta que provavelmente nunca serão vistas. A vigília mantêm-se.

terça-feira, 5 de abril de 2011

95

Se o coração pudesse soltar a voz e se a voz pudesse largar o gesto, que palavras poderia usar para explicar... como explicaria algo que não se simplifica e só se complica. Como se explica o odor dos cabelos que se entranha nas mãos e nos adoça a vida como frutos acabados de colher. Como se explica o brilho dos olhos que nos cegam cm luz do sol. Como se faz?...

domingo, 3 de abril de 2011

93

Não estava a dormir quando acordei e dei por ti. O meu tempo estava triste e cansado por ter feito tão grande corrida, por nem eu o ter visto passar, como sempre, estava na hora de fazer alguma coisa. Mais tarde dei por ti no meio da minha vida. São milhares de ponteiros perdidos, fios do teu cabelos, perdem-se do tempo e riem-se quando encontram as minhas mãos. Cheiram ao tempo quando me ensinou a morar entre o Outono e a Primavera, quando me ensinou a esconder-me debaixo do teu corpo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

91


[Podia ter a tua fotografia aqui]

Podia simplesmente dizer-te que não te amo.
Podia dizer que as mãos não estremecem quando sentem o calor do teu corpo.
Podia dizer que os ouvidos não ensurdecem para o mundo quando falas.
Não gosto de te ouvir cantar!
Podia dizer que não gosto de te ver, de te sentir.
Podia dizer que não és real e que não suporto a tua presença mesmo quando não estás aqui.
Podia dizer tudo... e no fim dizer-te que hoje é 1 de Abril!