sábado, 24 de setembro de 2011

267


Queria... descansar uma noite só. Não pedi para procurar o que não sei encontrar. Não pedi para as noites serem o dobro dos dias. Dispenso as horas que não sei como gastar. Ouvir a noite tão imensa enquanto se escrevem os versos mais tristes. Voltar a aprender as mesmas palavras de sempre. Sou uma casa desabitada com vidros partidos. Não queiram subir as escadas. Não queiram saber quem sou...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

265

Recortada na frente de uma porta como recortado num peito. Foi numa manhã de um dia qualquer, a uma hora qualquer. Era todos os dias a todas as horas. As tuas palavras eram tesouras cuidadosas, os teus lábios iam roubando lentamente suspiros do meu coração. Hoje resta apenas um espaço vazio de onde se vê uma casa vazia mergulhada na escuridão

terça-feira, 20 de setembro de 2011

263


Chuva temporal. Tempo terminal. Monstros na cabeça e macaquinhos no sótão. Cansaço no olhar e um sopro que me faz sempre acordar. Brisa de um beijo que tarda em chegar em troca de braços cheios de abraços.
Ao fechar do dia sempre a memória de um barco no porto, esquecido sem ninguém para navegar e tanto mar por conhecer.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

262

Até amanhã camarada
que a manhã não tarda,
e a nossa revolta vem tarde,
tarde demais.

Até já minha amiga
que a viagem é curta,
mas longo é o teu regresso,
longo demais.

Até já meu amor
que o coração não sente,
a distância é somente...
distância.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

258

Hoje foste longe de mais. Longe demais de ti.
E eu não sei como te dizer, não sei como me expressar neste fojo que te separa.
Talvez a distância seja o que te cobre, o que te conforta, e o que te permite estar perto, mas ao mesmo tempo, distante de ti.
Talvez estejas melhor na sua mentira, que na minha verdade.