terça-feira, 23 de agosto de 2011

235


Nem sempre esperar é a melhor solução. Nem sempre aguardar que tudo seja perfeito... nunca será tudo perfeito. A vida é feita de dores e de pequenos nadas. A vida é feita de sim e de não, às vezes há talvez. Há palavras que não chegam para descrever o que sentimos. Há coisas que sentimos que não tem descrição. Quase nunca escolhemos quem amar. Chegar sem pedir licença, tocar delicadamente o teu rosto e fazer com que feches os olhos, segredar-te ao ouvido o amor, em palavras frescas.

domingo, 21 de agosto de 2011

233

Todas as noites sentado em frente de um espelho vejo um rosto que desaparece aos poucos. Fraccionado como se fosse um puzzle admito que a realidade me afasta do meu eu mas não sei como montar o enigma de novo. Sentado em frente ao espelho criam-se memórias de uma certeza brutal demais para o que se passa na realidade. A loucura está a um passo mas exactamente à mesma distância da sanidade total. Gostava de reflectir tanto como o espelho para que te visses quando me olhas e percebesses o teu sitio especial.

sábado, 20 de agosto de 2011

232

Toda a minha existência é uma marcha de compasso.

1,2 ; 1,2,3,4

1,2 ; 1,2,3,4

2,4 ; 2,4 acelera

2,4;2,4;2,4;2,4;1 1,2;1 1,2;1 1,2. falhou.


Segue....6,8

Hoje é dia de manifestação

6,8;6,8;6,8


Gentil plié ao ver a minha amada, mas

a marcha continua


6,8;6,8


Encontro-te à noite, mas em pasodoble

Allegro moderato il nostro amore.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

231

Às vezes o grito mais alto é o mais abafado. Às vezes a embriaguez dos dias não chega para nos afastar das lembranças que gostaríamos de não ter durante a noite. Às vezes ter uns pés frios à espera em casa é uma missão de um dia. O abraço que gostava que estivesse lá é ocupado por um vazio cheio de falsas vontades. O vento é terrível porque te traz sempre de volta mesmo quando estás de partida.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

229


As noites submersas em palavras tornam-se cada vez mais frias. Lá fora os dias cada vez mais curtos deixam-me mais tempo para pensar as coisas que não devia pensar. É mais comum o barulho da chuva nas janelas, é mais constante a tua não presença. Vão ficando as gravações na memória. Corpos que se esquecem um do outro deitados lado a lado numa cama partilhada por momentos. Abraços temporizados pelos eventos que rodeiam os corpos em movimento constante, talvez perpétuo. O tempo que os abraça, infinitos sem sentidos com medo de sentir. Disfarçados pela multiplicação de falsos amores com que se mostram para tudo o resto.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

227

Escondido à espera que me procures. Escondido desejando ser encontrado. O esconderijo é sempre o mesmo, o cenário nunca muda, como um sonho que se repete sempre que adormecemos. No fundo sempre a mesma música que se repete incessantemente. Cada vez que fecho os olhos as imagens repetem-se. Perseguem-me. Prefiro não contar, prefiro conter em mim. Preferia que me escolhesses. Preferia que contar-te. Preferia que preferisses o amor. Encontra-me. Escolhe-me.