sexta-feira, 24 de junho de 2011

175


Estas nuvens cinzentas não se dissipam. A chuva não pára de cair e o coração não pára de bater. A inevitabilidade da leveza do ser em dias tristes cercado pela cidade triste. Esses corpos que se arrastam pelas ruas inundadas de água e de desesperança. Essas rua que já não nos levam a lugar nenhum. Já não tem surpresas e já não fazem sentido porque não conduzem para o nosso encontro. Ensaio uns passos para circular, para te ocupar enquanto me ocupo na cidade triste.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

174

Uma vez mais me encontro sentada sobre as pedras do meu caminho, olhando indecisa. Sento-me, pois o peso que carrego às costas tornasse insuportável à medida que observo as escolhas que tenho de fazer. Sei que está na altura de deixar algum desse peso, para que possa abraçar o futuro que me é ainda tão escuro. Temo perder-me no momento em que avançar, pois sei não ser capaz de carregar o carro-de-linhas na viagem. Os conflitos surgem na minha bagagem, nenhum quer ficar pelo caminho. E ouço, esses seres gritantes que me tentam persuadir a continuar com eles. O caminho à frente promete nada além do meu passado reflectido de novo em mim. Enfrento uma verdade que não posso mais negar...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

173

Há coisas que se sentem melhor quando mantemos os olhos fechados. Seria ideal se pudéssemos manter sempre os olhos fechados. Sonhar acordado com uma realidade que sabemos conscientemente não estar lá fora. O teu cheiro sabe-me melhor quando os olhos se fecham. As palavras que se deviam dizer soam melhor no silêncio que não precisamos de quebrar para entender o que se passa no espaço que resta entre os nossos corpos. De repente o escuro já não é tão assustador como sempre me pareceu. 

O escuro e a noite já não significam ficar sozinho. 

O medo já não é o desafio, o amanhã sim.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

171


Os terramotos sucedem-se todos os dias. Em cada gesto teu, em cada olhar, uma réplica abana o meu mundo. Não há uma escala, não há uma medida porque simplesmente há coisas que não se medem. Sentem-se em arrepios na pele e nas estranhas sensações nas entranhas do ser... seguimos e agitamos!

sábado, 18 de junho de 2011

169

La Strada, dos caminhos que fazemos para chegar a caminhos que raramente conhecemos. A busca de um desconhecido ser e de um final que não conseguimos controlar. No caminho perdemos a sensibilidade, o rumo de uma estrada sem destino. No fundo só nos queremos libertar dos paradoxos das nossas vivências quotidianas. La Strada um caminho para o infinito.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

166

Olhando para trás recordo os meus sonhos de criança e a força que ontem com o tempo e com a consciencialização do mundo se foi degradando e caindo aos pedaços. Onde existia um “castelo” de convicções, resistiam apenas fragmentos de um quadro de miúda de um mundo colorido. Foi ao encontra-te que de novo vi coelhos brancos e reencontrei o país das maravilhas.
E de novo esse mundo me escapava.
Existem tantos fantasmas no meu castelo que deixei que eles me tomassem.
Acredito em ti,
Porque cada vez que se me vens a memória o meu coração aquece e um vórtice de cores intensifica a minha visão.
Aprendi tanto contigo nestes últimos tempo, deste-me tanta força e fizeste me acreditar que é possível, que não há causas perdidas (só quando desistimos delas).
Tudo isto a somar ao novo mundo que a tua existência me trás e ao teu doce abraço que ilumina o que sou, o que sinto, e as distancias entre mim deixam de ser abismos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

165


Triste por ver um passado não muito distante partir sem avisar. Mais triste não sei se pela partida ou pela falta de aviso. A vida foge-me debaixo dos pés como uma passadeira que rola em sentido contrário. Falta-me a visão para ver o futuro. Faltam-me as mãos para o construir. Não consigo estar sempre feliz. Não sei se aguento mais sorrir como se fosse natural e não houvesse memória de um ontem que se arruinou mal virei costas.

Vivo dentro de uma carapaça de mim. Este que aqui está já não sou eu faz muito tempo. Com as sucessivas partidas e desilusões também eu fui saindo aos poucos. Deixei um personagem tomar conta do meu quotidiano e agora ele vive quase em completo a minha vida. Deixei de ter mão em mim e não sei se consigo ou quero sequer recuperar. Precisava deste espaço que na verdade sempre foi demasiado pequeno para mim. Sinto-me a explodir no interior