quinta-feira, 12 de maio de 2011

132

Aqui estou eu sentada

a espera de ver passar

a ébria loucura, que

o inconsciente por si já

trás à vida.


E estou sentada, esperando

sozinha, suportanto a culpa

que não é só minha

de odiar tudo o que não posso mexer


Nesta cidade, escura e humida

onde por vezes o sol bate

sem querer


vejo passar o tempo

correndo, lentamente

como se fosse a ultima vez


Continuamente observo

o tempo, as flores

flores de espinhos e dores

de magoas e louvores


Procurando o tempo que não tenho

fugindo da jarra

sobre a qual jaz a minha alma


Continuamente sentada à espera de ver

a ébria loucura

que o homem por si já

trás à terra.


Fala-me o tempo de diz-me

o tempo

que as minhas flores

estão a chegar


Falou-me o tempo

mas não deixou de correr.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

131


Talvez seja da voz que continua a ouvir-se mesmo depois de partires. 
Talvez sejam os cheiros que se entranham na minha pele, no meu corpo. 
Talvez sejam as memórias do teu toque subtil, do teu abraço. 
Talvez seja da poesia escrita numa parede. 
Talvez seja a necessidade de reduzir o mundo numa palavra. 
Talvez seja ela, 
talvez sejas tu...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

129


Fazes perguntas que não sei responder. Tocas músicas das quais não reconheço as notas. Já não sei quem és. Já não há espaço nas páginas vazias para mais palavras sem sentido. Fecham-se os olhos porque não se precisa olhar. Fecham-se os olhos porque não se quer ver. Falta-me o ar, falta-me a vontade. Cortam-se as asas porque já não é preciso voar. Faltas-me. Porque te atreves a faltar-me?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

126

Hoje a noite está estranhamento silenciosa. Não se ouvem os comuns latidos nem o comum pior. Todo este silencio e toda esta escuridão dá-me um arrepio frio, quase como se alguém me sussurrasse ao ouvido, pela primeira vez tenho medo em apagar a luz com medo do mundo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

123

Uma cabeça cheia de nada e um coração cheio de tudo. Uma cidade pintada em tons de cinzento e um céu carregado de lágrimas. Uma manhã marcada pela suspeita de um novo dia cheio de imprevistos. As músicas de fundo eram só um sinal da tua partida. Já não há flores presas no cabelo nem mãos que se tocam sem querer. Hoje deixaste simplesmente de ser, deixaste de estar... e talvez haja amanhã!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

122

Perdi (te) porque passo demasiado tempo a olhar para o chão com a cabeça no céu.

domingo, 1 de maio de 2011

121

Anda. Vem comigo. Deixa que te mostre um caminho possível. Deixa as palavras embalarem o teu corpo e deixa que os meus braços sejam um mar que te envolve. A busca incessante pelo outro nas portas que se abrem e fecham e o fim que já se perdeu para além do horizonte. Vamos. Anda lá para a frente junto das letras que nos... escrevem e das imagens que ficam na nossa memória.