quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

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Desenho original de Victor Mesquita publicado na revista Visão a 15 de Maio de 1975

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

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Ando pelas ruas do mundo à procura de cores para pintar a minha vida. Procuro nas esquinas da razão o que leva até estes caminhos. O hábito da carne continua a procurar-te nas noites frias. Às vezes tenho medo de mim mesmo, de não saber o percurso de volta para um sitio seguro, para o meu sitio seguro. Os impulsos levam-me de lugar em lugar, de pessoa em pessoa e os momentos fazem-se vagarosamente estendendo-se pelo tempo. Sucumbo nos ponteiros do tempo, o meu corpo estagna e a mente dispara sobre as ideias que alastram num breve surto de loucura. Rapidamente a mágoa do esquecimento apodera-se de um futuro que ainda não está lá. Sinto-me fora do meu tempo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

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Solidão literária e o drama do copo que me acompanha em cima da mesa, aliás a única coisa que me acompanha para todo o lado, cheio e vazio por vezes com gelo a derreter o tempo que demoro a olhar para ele mas sempre presente. A companhia exaltada de um monte de cigarros, demasiado pensativos, queimados e fumados num cinzeiro demasiado cheio para uma só noite de uma só pessoa. Numa espécie de cenário de filme a preto e branco onde o protagonista da história se vê atormentado entre dividas a uma qualquer máfia e o amor de uma mulher que abandonou deixando para trás somente uma carta. Não lhe falta sequer o nevoeiro que espreita na janela da rua entre intervalos de chuva quase constante. A escrita de alguém é sempre sobre si mesma, não adianta disfarçar, não adianta fugir do inevitável. Por muito que a fuga corra sempre para situações de terceiros ficcionadas com maior ou menor pormenor, há sempre algo no fundo que é nosso.

* * *

Foi assim que aconteceu daquela vez, deve ser assim que acontece regularmente não sei quantas mil vezes por todo o mundo todos os dias. As pausas em que levanto o olhar do papel onde escrevo, perco-as dividido entre o perder-me olhando para o cigarro que arde sozinho nas minhas mãos e na multidão alheia que me rodeia.

* * *

Ela fixa atentamente as suas próprias mãos, quer a cruzar os dedos quer a brincar com cigarro que lhe vai passando pelas mãos em momentos breves mas de um prazer incrível. Olha para as mãos como se estivesse a mexer e a estudar uma qualquer recente descoberta da ciência. Desvia toda a sua concentração para aquele pequeno plano ignorando completamente o que a rodeia. Uma atenção aplicada para algo que nos passa pelos olhos tantas vezes. No entanto servem-lhe de refúgio para algo que ela não quer mesmo ver.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

4

As batidas do coração certas como um relógio. O tempo que se altera na tua presença e as batidas que se tornam inconstantes. A cadência das palavras que teima em ser mais rápida que a mão que as escreve e o erro que se repete sempre que a batida se altera. As vontades que deixamos para trás tantas vezes trocadas por um simples abraço. O calor de um abraço que faz apetecer um beijo e um beijo que nos leva para fora daqui. No fundo o som é sempre o mesmo... calmo ou agitado: tum tum; tum tum; tum tum...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

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A maior dor provêm do silêncio, da ausência de senso nos actos mudos que procuram de ti um pouco mais que a carne fria da aurora. No teu silêncio altamente perigoso, vigora ainda o mais imaginário amor, daquela que nunca Era uma vez, a nossa história.