Só hoje como se amanhã não houvesse.
Nunca mais, um grito de desejo, um último beijo.
Só hoje porque amanhã não existe.
Uma vez mais me encontro sentada sobre as pedras do meu caminho, olhando indecisa. Sento-me, pois o peso que carrego às costas tornasse insuportável à medida que observo as escolhas que tenho de fazer. Sei que está na altura de deixar algum desse peso, para que possa abraçar o futuro que me é ainda tão escuro. Temo perder-me no momento em que avançar, pois sei não ser capaz de carregar o carro-de-linhas na viagem. Os conflitos surgem na minha bagagem, nenhum quer ficar pelo caminho. E ouço, esses seres gritantes que me tentam persuadir a continuar com eles. O caminho à frente promete nada além do meu passado reflectido de novo em mim. Enfrento uma verdade que não posso mais negar...