terça-feira, 12 de julho de 2011

193

No fim do dia há sempre aquele momento em que a chave entra na porta e esperamos que um mundo novo se mostre. Conscientemente sabemos que nada muda, que nada se altera só pelo bater da porta ou pelo rodar de uma chave. No fundo do coração uma esperança que tudo aquilo que desejamos possa estar de repente ali naquele santuário de vida. No fim do dia o que seria mesmo bom era o teu par de braços, o teu calor e os teus cabelos a penderem nos meus ombros - abraço é assim que se chama. Simples e tão complicado. Sempre complicado aquilo que sabemos ser simples.

domingo, 10 de julho de 2011

191

Se algo explodisse de repente com força tal que ao passar por cima dos nossos corpos afastasse as nuvens... o calor que nos invadiria os corações semelhante a um dia quente de verão. As batidas do coração sentidas na barriga e um incómodo na cabeça. Hoje podia ser o primeiro dia do resto das nossas vidas.

sábado, 9 de julho de 2011

190

Porque de todas as tuas pequenas coisas é o teu sorriso aquele que me assusta mais. Por ser tão belo e doce, se é que o sorriso pode ser doce ou amargo, mas se pode ele é isso e mais do que isso. Ele é quente, calmo e malandro É curioso, maduro e desconfiado É inteligente e sincero É desenhado na perfeição de todas as linhas alguma vez desenhadas. O teu sorriso inspira-me e faz-me expirar em também linhas. Na busca da reprodução perfeita desse teu traço, curto simples - que mais uma vez te digo – perfeito!

Mas o que ele tem de majestoso tem também de assustador. Por ter sido por ele que te vi, e por ter sido por ele que te reconheci, é também por ele que temo. Porque de tanto o adorar, nada mais temo que o fazer algum dia desvanecer uma sombra mal aplicada.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

189


Na verdade sempre pensei que se mudasse de local eu próprio mudaria. Sair da cidade e cortar de vez o cordão umbilical, entrar em ruptura com o eu. Caminhar para outro local que ainda não sabia muito bem qual. Tinha que deixar um traçado de abandono e encontrar-me num local que nunca poderia chamar de casa. A procura da felicidade como objectivo máximo de uma vida sem traços de perfeição ou de marcas consideráveis - uma vida média cheia de meias medidas. Hoje sei que não. Enganei-me ao pensar que poderia mudar mudando-me. Nunca deixei que alguém me descobrisse e nunca consegui descobrir alguém que o conseguisse fazer, apesar de muitas tentativas muitas pessoas falharam. Falhei para elas e deixei que o tempo me arrastasse nas ondas de uma vida que não consigo definir. Há um não percurso, há um não destino, mesmo vivendo no país em que fado não tem tradução e a fatalidade cedo nos atinge deixamo-nos corromper pela infelicidade plena. Nunca ninguém está completamente bem ou o dia nunca está suficientemente bom. Podia ser um motor para um pessimismo construtor de algo mas pelo contrário é um inibidor de acção que nos adormece lentamente, mesmo aqueles que tentam resistir acabam por resistir já dentro deste ciclo vicioso.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

188

Uma vez por dia decido viver sem sentimentos. Uma vez por dia faço o esforço de te esquecer. Depois decido fazer uma coisa mesmo estúpida. Esqueço-me do que te queria dizer.  

Espero, espero-te.  

Encontra-me!

terça-feira, 5 de julho de 2011

186

Há um conhecimento descritivo que não permite especulações. Uma equação onde ele não está, estando no meio de nós. Invisível na sua perceptibilidade, a sua ideia supera o facto e ri no conjunto das suas liberdades ortonormais que são contundo, auto-destrutivas para quem o contempla. A sua contemplação expande, além do infinito, a percepção comum de cada ser da sua condição, da sua realidade, e o arrasta para o fim do principio do riso trágico. É impossível escapar a sua preensibilidade sobre a nossa dimensão.