terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

53

Chuva temporal. Tempo terminal. Monstros na cabeça e macaquinhos no sótão. Cansaço no olhar e um sopro que me faz sempre acordar. Brisa de um beijo que tarda em chegar em troca de braços cheios de abraços.
Ao fechar do dia sempre a memória de um barco no porto, esquecido sem ninguém para navegar e tanto mar por conhecer.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

51


Tenho o cheiro do teu abandono marcado em mim. Utopias de sentidos que não sabem o que fazer com as realidades. Ciúmes de beijos entregues noutros tempos, saudades de os ter agora. Tenho problemas de expressão pela dispersão das palavras. Lágrimas desesperadas que correm rumo ao deserto não sabendo como vai ser o seu fim, por vezes precocemente esmagadas na ponta de um dedo. Hoje apetecia-me esquecer o resto do mundo, fazer de conta e brincar com os teus cabelos. Hoje podia ser um dia diferente. Hoje não vou chorar.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

49

A mão que conta a história perde-se entre linhas que o fazem descarrilar no caminho entre estações. A mão que passa pelo papel que anseia ser preenchido e o corpo que fica bem junto de um outro corpo. Uma respiração ardente e dolorosa. Um mundo que não pára de girar num segundo do teu perfume, a tempestade que acalma o mar de sentidos num suspirar que se segue de um sorriso que gostava de chamar meu. Uma menina tornada mulher.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

47

Uma gota atrás de outra e a água que se move. A água que enche os rios e marca os rostos. Perde-se o sabor do sal da tua boca. Pressente-se uma verdade entre corpos que procuram a luz de um pensamento que atravessa um roseiral sem espinhos e que espalha com o vento os aromas da loucura.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

44

Adias o coração para outro século, para um outro instante, outro clique. Esperas sem esperar, porque o adiar é a opção que as tuas idas à solidão confortam o conflito com o espelho. A tua sadia mente encobre o coração seco e quebradiço, que à dias julgou encontrar o seu remédio na relação com a ausência.
“Sans toi, les émotions d´aujourd´ui ne seraient que la peau morte des émotions d´autrefois”